A cerca de uma dezena de quilómetros da sede de concelho, abençoada pelo rio Sabor, encontra-se a freguesia de Parada.O topónimo, comum a várias localidades, terá origem numa lenda de tempos remotos, quando os povos que habitavam nas encostas do Sabor tinham de ir à missa em Castro Vicente. Os moradores combinavam então encontrar-se junto a uma fonte de água fresca (que agora se chama Fonte de Baixo) para irem juntos até ao templo e a esse ponto de encontro passou a chamar-se Parada.

 

Outra hipótese foi avançada por José do Barreiro: “houve entre nós o foro de parada, que consistia em terem os vassalos, enfiteutas ou colonos, mesmo os párocos rurais e mosteiros (com respeito aos seus bispos), preparados e prontos certos mantimentos (ou dinheiro para eles) e aposentadoria para os seus respectivos senhores (e bispos, tratando-se de mosteiros) e comitiva. No fundo, parada era a refeição que os habitantes de uma aldeia eram obrigados a dar aos seus senhores”.

 

Seja qual for a explicação, vem confirmar que o povoamento da freguesia é remoto, o que também é justificado pela arqueologia e pela tradição popular. Diz-se que o cabeço denominado Castelo da Marruça, ao norte da freguesia, é cercado por uma forte muralha já mal conservada. Pelo sul desta, na vertente do rio Sabor, faz parte da muralha um grande rochedo, no qual foi encontrado, há anos, por dois operários, um longo buraco que inadvertidamente foi entulhado. Supõe-se que essa cavidade seria algum subterrâneo que desse serventia aos moradores do castelo. O povo apelida-a de Castelo de Moiros, mas os investigadores apontam para que sejam do tempo românico ou mesmo de alguma civilização mais antiga.

 

Bem perto desse local encontra-se a Fraga do Crato, que apresenta a forma de uma capela, metida em carrascal. Existe a lenda de que está mencionada no livro de S. Cipriano, com tesouros misteriosos e que, por mais do que uma vez, têm sido procurados pelos povos vizinhos, que para tal fazem grandes escavações.

 

 

Parada foi vigararia da apresentação do abade de Castro de S. Vicente. Pertenceu ao concelho de Chacim até à reorganização administrativa de 1853, quando transitou para o de Alfândega da Fé, onde continuou até hoje: a excepção foi uma temporária supressão do concelho entre 1895 e 1898.