A igreja paroquial assume-se como o destaque do património edificado. A data da fundação não está confirmada, mas uma inscrição na frontaria exibe o ano de 1975 como o de restauração do templo.

Realça-se, como curiosidade, o adro envolvente, custeado pela própria população da freguesia, isto ainda no ano de 1880.

No interior, onde existem três altares, repousam uma cruz processional e uma custódia de prata. Ambas foram executadas em Guimarães nos finais do século XVIII. Fernando Pires Pereira caracteriza-as com base na voz popular: “aquando das invasões francesas do século XIX, já a cruz existia na aldeia. Conforme nos disseram, esteve enterrada para não ser roubada pelos franceses, como, aliás, foi apanágio dessas invasões. A custódia é imponente e pode bem ter sido aproveitado um castiçal de prata, ao qual se lhe acrescentou um sol. Esta parece ser a ideia do Dr. D. M. Hernandez da U. Salamanca, ideia que a vir donde veio nos é irrefutável”.

 

Ermida de Santo Antão

A ermida de Santo Antão é muito concorrida pela população no primeiro sábado de Setembro. A devoção àquele santo é enorme e está bem enraizada entre a população da freguesia. Tal facto prende-se com uma série de milagres que parece ter sucedido em volta do templo e de Santo Antão. No interior, realçam-se as pinturas sagradas que embelezam o tecto e o arco perfeito que separa a capela-mor do altar-mor, bem como o retábulo em talha dourada sobrepujando uma imagem de Santo Antão.

Situada junto ao rio Sabor, em cota baixa, é relativamente pequena. Tem salvo, segundo a população, muita gente da morte e do sofrimento. Eram célebres, há alguns anos, as romarias que lhe faziam os habitantes de zonas tão distantes como Miranda do Douro ou Vila Nova de Foz Côa. Essas viagens chegavam a durar uma semana, o que atestava bem a índole religiosa desses devotos.

Um dos milagres mais importantes deu-se em Dezembro de 1915, no dia de Natal. Um grupo de fiéis, necessitados de se deslocar a Sendim da Ribeira, devido ao azeite, tentou passar o rio numa barca, pedindo para tal o auxílio de um barqueiro. Com o peso dos homens e dos animais, a embarcação virou-se a meio do rio e afundou-se. Nunca se conseguiu saber, até hoje, como conseguiram salvar-se todos os passageiros e até os animais e víveres que levavam.

 

Castelo da Marruça

A localização deste conjunto arquitectónico é impressionante, numa escarpa junto à margem direita do rio Sabor, o que lhe garantia uma perfeita defesa; é uma muralha circular, em estado de conservação razoável, se comparada com outras estruturas idênticas do concelho e, fora dessa muralha, a sul, ainda se observam fundações de habitações, o que confirma a existência dum povoado antigo.

 

Rio Sabor

Este curso de água é considerado o último rio selvagem de Portugal, devido à ausência de barragens ao longo dos mais de 120 quilómetros de percurso através de Trás-os-Montes, ao isolamento do vale e à grande diversidade de habitats naturais e espécies que aí ocorrem. Contudo, paira sobre este santuário natural o peso da possível decisão de construção duma grande barragem no seu troço inferior, que submergirá cerca de 50 por cento da extensão nacional do rio e obrigará à deslocalização da Ermida de Santo Antão.

O valor ecológico do rio Sabor é único e insubstituível, apresentando uma flora e vegetação de características ímpares em Portugal, com destaque para as particulares comunidades associadas aos leitos de cheias. No vale do Sabor surgem também os mais extensos e bem conservados azinhais e sobreirais de Trás-os-Montes e a presença de substratos calcários e ultrabásicos permite a ocorrência de um elevado número de endemismos. Esta área apresenta ainda uma elevada diversidade de habitats (20 incluídos na Directiva Habitats, dos quais 3 são considerados de conservação prioritária) e parte do seu troço integra a Rede Natura 2000.

A isto se junta uma importante comunidade de aves rupícolas, como a águia de Bonelli, a águia-real, o abutre do Egipto e a cegonha-preta. Serve também como refúgio e corredor ecológico para uma comunidade faunística muito diversificada, onde se salientam espécies como o lobo, o corço, o gato-bravo, a toupeira-de-água e a lontra, e representa o principal local de desova e alevinagem da comunidade piscícola duma vasta área.